A perda da sensibilidade

a-perda-da-sensibilidade
Imagem: Creative Commons

Impossível falar da perda da sensibilidade sem recorrer ao pensamento do recém-falecido sociólogo Zygmunt Bauman, que com sua sempre aguçada sensibilidade a sintetizou magistralmente em seu conceito de liquidez, abordando diversas esferas da vida coletiva humana. É óbvio que Bauman não foi o primeiro a nos alertar sobre a nossa perda da sensibilidade, muitos outros o precederam. Outro autor importante que iluminou essa questão foi o escritor russo Fiódor Dostoiévski em seus vários romances, através de seus personagens complexos. Continuar lendo A perda da sensibilidade

Agonia

agonia
Imagem: Creative Commons
Continuar lendo Agonia

Otimismo

otimismo
Imagem: Creative Commons

O otimismo é uma virtude! E digo isso porque tenho, desde que me lembro, uma tendência, digamos, natural à melancolia. Sendo assim, posso dizer que o otimismo é uma virtude que me falta, que se apresenta em mim de forma pouco contumaz e quase sempre bastante tímida. Como “bom” pessimista que sou, não me vejo tanto como tal e sim como realista. Todavia, ainda assim, confesso: o otimismo é algo que me faz falta.

Continuar lendo Otimismo

Qual é o sentido da vida?

qual-e-o-sentido-da-vida
Imagem: Creative Commons

A questão que dá título a este texto é, sem dúvida, uma das mais antigas e profundas que fazemos. Essa questão aflora em nossas mentes sobretudo quando somos acometidos por injustiças e pela sensação de contingência que nos induzem à angústia. A verdade é que existem inúmeras respostas a essa questão: alguns acreditam que o sentido da vida esteja na fé em algo maior: Deus; outros acreditam que o sentido da vida está no respeito – ou no amor ao próximo, em linguagem cristã –; alguns acreditam no amor próprio e que o sentido da vida está dentro de nós, em ter algo no que acreditar e que cabe a cada um de nós encontrá-lo; há quem acredite que a vida vale por si mesma, de modo que seu sentido está apenas em viver; há quem acredite que a vida simplesmente não tem sentido, mas que mesmo assim continua vivendo; há quem chegue à conclusão de que a vida não tem sentido e prefere acabar com ela de uma vez… Uma coisa é certa: não faltam concepções sobre o sentido da vida. Se alguma delas está correta ou não é outra história.

Continuar lendo Qual é o sentido da vida?

Autoajuda

autoajuda
Imagem: Creative Commons

A humanidade é o animal da contranatureza e, como herdeira de Prometeu, tende a buscar mecanismos que a ajudem a se adaptar melhor à natureza. E, para nós, escassos de recursos físicos, adaptar-se à natureza é se afastar ao máximo dela. Nossa escassez de recursos nos inseriu em enorme desvantagem na luta pela sobrevivência em tempos primitivos. Para superar tamanha desvantagem física e não sucumbir, precisamos desenvolver o que tínhamos como diferencial: o intelecto, ou, em linguagem filosófica e mais abrangente, o logos. O logos, por sua vez, consiste em nossa grande vantagem em relação aos outros seres vivos existentes na natureza, mas, aparentemente e – sempre ela – contraditoriamente, essa mesma condição consiste em uma grande desvantagem.

Continuar lendo Autoajuda

Todos os caminhos nos conduzem ao despedaçamento

todos-os-caminhos-nos-conduzem-ao-despedacamento
Imagem: Creative Commons

O título deste texto nos remete a um determinismo trágico e pessimista. Dizer que todos os caminhos nos conduzem ao mesmo destino é algo que soa bastante angustiante, afinal, isso significa que, independentemente do que façamos ou deixemos de fazer, seguimos todos em direção ao mesmo destino. Como se isso, por si só, já não fosse angustiante o suficiente, o destino em direção ao qual todos os caminhos nos conduzem intensifica ainda mais essa angústia. Sendo assim, não bastasse o título deste texto nos remeter à vanidade de nossas ações, ele ainda nos remete à tragédia e ao pessimismo ao dizer que o nosso destino é o despedaçamento.

Continuar lendo Todos os caminhos nos conduzem ao despedaçamento

O Estado ideal

o-estado-ideal
Imagem: Creative Commons

Desde Platão, com sua República, a humanidade vem edificando teorias que lhe possibilitem a construção de Estados ideais. Mais de 2000 anos se passaram e ainda não alcançamos o ideal platônico. Mas, afinal, não era precisamente isso o que Platão dizia, que o ideal não é plenamente realizável no mundo físico, desejoso e portanto doente do corpo e que alcançá-lo só seria possível através do mundo puro das ideias? Afinal, isso não é uma obviedade?

Continuar lendo O Estado ideal

11.22.63

11-22-63
© Hulu / Divulgação.

11.22.63 é o nome de um romance classificado como ficção científica e história alternativa do escritor americano Stephen King, publicado no ano de 2011 nos Estados Unidos pela editora Scribner – no Brasil o livro foi publicado em 2013 pela editora Suma de Letras com o nome de Novembro de 63. O aclamado produtor e diretor J.J. Abrams, renomado por produzir, entre outras, superproduções como Star Trek e Star Wars, ficou fascinado com a história ao ler a obra de King e teve a ideia de ambientá-la, e, como o próprio admite, logo se deu conta de que para fazê-lo não poderia reduzi-la a um filme, uma vez que tal empreitada condensaria muito a história. Devido a isso, J.J. Abrams propôs a Stephen King que adaptassem a história em uma minissérie composta por oito episódios, o que King acabou aceitando. Para protagonizar a história, decidiram convidar James Franco, que escrevera um artigo manifestando sua admiração pelo romance. Embora o livro tenha sido publicado em 2011, a série só foi lançada em 2016, quando foi exibida pelo site Hulu nos Estados Unidos.

Continuar lendo 11.22.63

A vida é fina, frágil e confusa

a-vida-e-fina-fragil-e-confusa
Imagem: Creative Commons

A vida é fina, frágil e confusa. A única certeza que temos, em alguma medida, é a morte. Em outras palavras, a única certeza que temos na vida é a de que não sairemos vivos dela. Tudo o que existe nada mais é do que uma sucessão de eventos inéditos, e a vida, por estar incluída neste tudo, também o é. Conscientemente, todos os eventos que vivenciamos são divididos em dois tipos: os primeiros são os eventos que não dependem de nossas ações, inclinações, desejos ou vontades e, portanto, são aqueles que não podemos evitar, isto é, independem de nós; os segundos, por sua vez, são os eventos que dependem de nós, isto é, de nossas ações, inclinações, desejos ou vontades e, portanto, são aqueles que podemos evitar, modificar, exercendo transformações por meio de ações.

Continuar lendo A vida é fina, frágil e confusa

Se a humanidade é o animal da contranatureza por excelência e o socialismo é contranatural, então por que a humanidade não consegue fazer o socialismo dar certo?

wordpress
Imagem: Creative Commons

A humanidade é, conforme a história nos mostra, o animal da contranatureza. Isto é, por termos uma natureza escassa de recursos, precisamos nos adaptar para conseguirmos sobreviver, e, como sabemos, isso só foi possível graças ao logos, que é, grosso modo, o que nos diferencia dos outros animais. Algo que desde cedo ficou bem claro para nossos ancestrais é que, por sermos escassos, precisaríamos nos unirmos. E foi o que os nossos ancestrais fizeram. E, para que essa união fosse possível, códigos de convivência foram estabelecidos, com o intuito de assegurar que um não invadisse o espaço do outro, de modo a não o subjugar, para que, assim, a vida fosse o menos ruim possível. A partir daí surge a moral. E, conforme essas coletividades passaram a crescer e a aumentar suas respectivas complexidades, a moral, naturalmente, seguiu o mesmo caminho. Continuar lendo Se a humanidade é o animal da contranatureza por excelência e o socialismo é contranatural, então por que a humanidade não consegue fazer o socialismo dar certo?